Por que é tão difícil cortar as unhas do cachorro?

Por que é tão difícil cortar as unhas do cachorro?

Nossos cães passam por diversos tipos de manipulação em suas vidas, sejam eles veterinários ou estéticos. O que é praticamente unanimidade no quesito DIFICULDADE NA EXECUÇÃO sem sombra de dúvidas é o corte de unhas.

As queixas variam bastante: alguns morrem de medo e gritam, mordem, ficam inquietos… parece mesmo que eles detestam isso, não é mesmo?

Cães tem geralmente têm 5 dedos em cada pata dianteira e 4 dedos em cada pata traseira, embora alguns pets também possuam o quinto dedo também atrás. Ou seja: pelo menos 18 unhas pra serem cortadas, todas de uma vez!

O barulho da unha sendo cortada assusta o cão, sobretudo se ele já passou pelo trauma de termos lesionado o nervo acidentalmente no corte. Ele pode sangrar bastante, além de provocar dor intensa.

Muitos cães não gostam ou não estão acostumados a terem suas patas sendo contidas por muito tempo.

Além disso, experiências ruins anteriormente com outros tipos de manipulação podem ter criado um tipo de aversão no cachorro sempre que pegamos em suas patas, seja por já ter tirado sangue ou tomado soro (o acesso geralmente é feito na pata dianteira) ou alguma tosa.

Para que possamos fazer um corte de unhas bem feito, é primordial que se use acessórios corretos e adequados. Não é qualquer alicate, existem próprios para o encaixe na unha do cão e ainda, técnicas de manuseio para que o corte seja feito no ângulo correto.

Mesmo que você, tutor, não tenha interesse (ou coragem) de cortar as unhas de seu cãozinho, tudo bem! Mas é sim sua responsabilidade habituar previamente para que ele não aprenda na marra sendo forçado ou contido desnecessariamente, criando um trauma e um risco ao profissional que o manipula.

Bora aprender como?

Antes mesmo de pensarmos no corte das unhas é importante habituar o cão a passar pelo processo, que começa antes mesmo do alicate entrar em ação.

Primeiro, o cão precisa aprender a dar a pata sob comando, depois aprender a sustentar a pata por um tempo (criamos comandos de liberação, dizendo quando ele pode retirar). Claro que, é importante dar a liberdade de escolha pro cão, para que ele possa sair ou ao menos sinalizar algum desconforto e trabalharmos juntos com isso.

Conforme o cão habitua e consegue sustentar a pata por mais tempo, começamos gradativamente as generalizações, começando por apertar levemente os dedos, puxar um pouco a pata, manipular suas unhas com nossos dedos, sempre associando à algo positivo como petiscos.

Treinos não precisam nem devem ser longos, preze sempre pela boa experiência. Independente do tempo levado, ela vira saldo positivo na memória do cão e ele passa a gostar ao invés de evitar. Sempre que possível tente terminar todo exercício de dessensibilização com a última tentativa positiva, mesmo que tenhamos ou não conseguido cortar uma unha, termine com o cão acertando, fazendo comandos e se divertindo.

Mais pra frente no processo, gradualmente apresentamos o alicate: encostamos em sua unha sem pressionar, deixando sempre o consentimento acontecer livremente por parte do cão. Quanto mais controle o cão tem sob a situação, mais relaxado ele tende a ficar, por conta da previsibilidade e confiança envolvida.

Lembre-se que todo treino onde há manipulação é preciso gerar uma troca de confiança mútua. Se o cão tem medo, ele não confia, mesmo que em outros contextos vocês tenham uma boa relação. Não é pessoal.

Uma coisa que muita gente acaba errando é querer cortar todas as unhas de uma só vez. O cão pode ter começado a participar daquilo de forma totalmente colaborativa e se cansa, ou fica incomodado por qualquer motivo, e acabamos forçando demais a situação, passando do ponto. Ou ainda, queremos continuar cortando as outras depois que o cão já se assustou/machucou.

Sempre que acabar cortando o nervo sem querer, causando sangramento ou não, é hora de parar o corte. Tente ao menos continuar ali com o cão, pedindo apenas comandos, sem alicate, só pra que terminem o exercício com algo positivo (como anteriormente dito). Mesmo que não tenhamos conseguido cortar tudo, tá tudo bem.

É preferível que o corte seja feito aos poucos, uns dias cortando uma, outros duas, outro nenhuma (só treinando a patinha), pra que seja o mais leve possível pra ele e pra você.

Lembre-se que por mais bem intencionado que esteja, NENHUMA manipulação faz sentido pro cão e toda contenção pode o assustar em algum grau, deixando-o ansioso, desconfiado, com medo e até agressivo. É nosso papel proporcionar um procedimento minimamente invasivo e traumático, uma vez que isso ocorrerá diversas vezes em suas vidas.

Por mais que você possa estar sendo delicado, usando um tom de voz tranquilo, infelizmente não é só isso que importa. Quem define o medo, a dor ou qualquer tipo de desconforto é quem sofre, não quem causa. E muitas vezes sequer temos tal intenção, mas o cão te dirá isso e como em toda relação sadia, é preciso respeitar os limites dados.

Em casos severos onde o cão tem uma reação exacerbada e é preciso cortar suas unhas por conta do tamanho avantajado, é preferível que consulte seu veterinário e analisem juntos individualmente o caso para saber se há necessidade de suporte medicamentoso para o procedimento. Importante mencionar que o uso deve ser apenas emergencialmente e não para toda vez que precisar manipular o cão. Isso não anula a necessidade de dessensibilizar o cão para que não precisemos usar de tais recursos.

Lembre-se: toda manipulação deve ser feita com respeito. Qualquer contenção à força deve ser de uso exclusivo de emergências, não pra procedimentos corriqueiros.

Não hesite em procurar ajuda profissional com uso de metodologias positivas. Seu cachorro agradece!

Fonte: Buono Pet

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